Características e histórico regional

A implantação do Campus da UFSC Centro de Curitibanos ocorreu em 2009, a partir da iniciativa REUNI do governo federal, inicialmente com os cursos de graduação, em Ciências Rurais, Agronomia e Engenharia Florestal e, em 2012, com o curso de Medicina Veterinária.

O Campus está situado na mesorregião da Serra Catarinense, composta por 31 municípios que apresentam uma economia de produção primária com destaque no Estado. Apesar disso, esta região apresenta diversos problemas sociais, econômicos e ambientais, como consequência do seu histórico de desenvolvimento que resultou numa estrutura fundiária concentrada, êxodo rural e nos Índices de Desenvolvimento Humano que a região apresenta, os quais coincidem com os mais baixos de Santa Catarina.

No que se refere a questão ambiental, observam-se na região problemas advindos da produção agrícola preponderante de monoculturas, do florestamento com espécies exóticas, do uso de agroquímicos, do barramento de mananciais hídricos, da descaracterização dos ecossistemas naturais e da redução da biodiversidade.

O Planalto Serrano é cabeceira de quatro grandes bacias hidrográficas de Santa Catarina (Pelotas, Canoas, Itajaí e Tubarão), as quais estão ligadas ao sistema aquífero que tem fundamental importância para mais de 50% da população catarinense, incluindo os pontos de captação pública de água de vários municípios. Cabe destacar que na Região do Planalto Catarinense, as águas subterrâneas do Sistema Integrado Aquífero Guarani-Serra Geral, o qual representa uma reserva estratégica para o abastecimento de água para todo sul do Brasil, correm risco de contaminação com resíduos químicos, oriundos de processos produtivos das cadeias agropecuária, florestal e industrial.

Esta região, que faz parte do bioma Mata Atlântica, apresenta uma expressiva biodiversidade, constituindo um rico patrimônio de recursos naturais ainda desconhecidos. Diversas espécies nativas com potencial para o uso agrícola, madeireiro e não-madeireiro, precisam de estudos quanto a caracterização e manejo, de modo a desenvolver o uso tecnológico racional, integrado e sustentável, com respeito à fauna e à flora. Os componentes da agrobiodiversidade como as variedades crioulas, as frutíferas nativas e de clima temperado, também tem recebido especial atenção nas pesquisas em ecossistemas agrícolas, de modo a garantir a produção de alimentos com sustentabilidade, pautados na produção de base ecológica e nas estratégias de integração lavoura-pecuária-floresta.

No setor de produção animal, o Campus está próximo de áreas industriais tradicionais na produção de suínos, aves e gado de leite. Adicionalmente, a região é produtora de bovinos de corte e ovinos. Apesar de bem desenvolvida do ponto de vista econômico, a produção animal é responsável por grandes impactos ambientais, necessitando do aprimoramento de sistemas de criação animal para fins de produção que se preocupem com as fontes de alimentos adequados para as diferentes espécies e o correto destino e tratamento dos resíduos gerados pela atividade.

Nesta perspectiva, o programa de pós-graduação em Ecossistemas Agrícolas e Naturais irá contribuir para a plenitude de operação da UFSC em suas atividades de pesquisa, ensino e extensão, com vista ao desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação na região Sul do país. Esta proposta também se insere dentro do planejamento estratégico de atuação e interiorização da Universidade no estado de Santa Catarina, contribuindo para a criação e/ou aplicação de tecnologias apropriadas para o desenvolvimento regional.