O PPGEAN

O Programa de Pós-graduação em Ecossistemas Agrícolas e Naturais (PPGEAN), reconhecido pela CAPES na área de Ciências Agrárias I, com a área de concentração “Manejo e Conservação de Ecossistemas Agrícolas e Naturais”, busca realizar pesquisas básicas e aplicadas dirigidas aos ecossistemas agrícolas e naturais com foco na manutenção da biodiversidade, na avaliação de impactos ambientais e na conservação do solo, recursos hídricos, vegetais, animais e microbianos. Em sua área de concentração o programa busca compreender as relações antrópicas e a biodiversidade, considerando os processos da interação permanente entre o meio físico, os recursos genéticos, os sistemas de gestão e práticas utilizadas por populações culturalmente diversas. Tal abordagem holística possibilita um melhor entendimento das complexidades, com o intuito de propor alternativas para a sustentabilidade dos sistemas de produção. O programa reconhece a importância das interações entre esses ecossistemas e a necessidade de formar profissionais capazes de avaliar, planejar e gerenciar os sistemas naturais e agrícolas no âmbito da conservação dos recursos como parte integrante da estratégia produtiva.

No contexto do programa de pós-graduação o conceito de Conservação é aquele baseado no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC, 2000) e assim formulado: “o manejo do uso humano da natureza, compreendendo a preservação, a manutenção, a utilização sustentável, a restauração e a recuperação do ambiente natural, para que possa produzir o maior benefício, em bases sustentáveis, às atuais gerações, mantendo seu potencial de satisfazer as necessidades e aspirações das gerações futuras, e garantindo a sobrevivência dos seres vivos em geral”.

O pressuposto defendido no PPGEAN considera a conservação dos ecossistemas naturais como parte integrante das estratégias produtivas. Este conceito é defendido no preâmbulo da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) “Conscientes de que a conservação e a utilização sustentável da diversidade biológica é de importância absoluta para atender as necessidades de alimentação, de saúde e de outra natureza da crescente população mundial, o acesso e a repartição de recursos genéticos e tecnologia são essenciais”.

Considerando a necessidade de atender o direito humano fundamental à alimentação (Assembléia Geral da ONU, 2002), o desafio da agricultura moderna é manter indefinidamente a sua produtividade e a utilidade para a sociedade. No cenário atual, a produção agrícola industrializada e a mercantilização global de alimentos básicos não tem ajudado a melhorar o consumo nacional de alimentos em muitos países em desenvolvimento. Uma produção mais elevada também não tem resultado em sustentabilidade ou eficiência em longo prazo, e os ganhos de curto prazo decorrentes do aumento de produtividade são frequentemente anulados pelos altos preços dos insumos e pela degradação ambiental (World Resources Institute, 2005). Padrões de comércio alimentar distorcidos e a vulnerabilidade dos exportadores de alimentos em relação a crescente ameaça das alterações climáticas reduzem ainda mais a acessibilidade e disponibilidade dos alimentos, especialmente no caso dos grupos pobres e vulneráveis (Relatório Especial da ONU, 2008).

Dados de vários países em desenvolvimento revelam que práticas agrícolas sustentáveis, embasadas em conhecimentos locais, são as formas mais eficazes de assegurar o desenvolvimento de sistemas de produção alimentícia (Pretty et al., 2006). A agricultura sustentável é orientada pelo conhecimento local e por técnicas de conservação de recursos, fazendo melhor uso dos bens e serviços oferecidos pela natureza, sem danificá-la. Investir nas capacidades dos pequenos agricultores em adotar práticas sustentáveis irá ajudar a garantir maiores lavouras e rendimentos, promovendo também o consumo de alimentos locais.

Essas práticas também preservam a biomassa e protegem a saúde do solo. Métodos de conservação, incluindo a agricultura de base orgânica, podem obter rendimentos comparáveis aos da agricultura industrializada. Quando sustentados ao longo do tempo, estes métodos também geram economia e lucros mais elevados, além de reduzirem drasticamente o uso de agroquímicos convencionais (UNCTAD, PNUMA 2008).

O PPGEAN visa contribuir com a produção de conhecimento científico em Ciências Agrárias e com a formação de recursos humanos com habilidades e competências para incorporar estas necessidades em seus objetos de pesquisa. De forma complementar, o programa promove o intercâmbio de saberes com instituições parceiras para o fortalecimento da formação científica dos discentes e docentes.